Urgência da partilha

Não podemos jamais cansar-nos de estender as mãos, especialmente neste tempo dramático que vivemos

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

À medida em que melhoram as condições da pandemia, com o avanço da vacinação, observa-se uma tendência em relaxar os cuidados necessários para evitar contágios e preservar a saúde, o que exige alertas e orientações na mídia, dentre outras medidas. Ao mesmo tempo, constata-se uma diminuição das iniciativas de ajuda a pessoas e famílias em situação de maior vulnerabilidade num momento em que se agravam as consequências econômicas da pandemia. Ações emergenciais como as cestas básicas diminuíram, mas a pobreza cresceu, com situações de miséria e fome. A caridade enquanto expressão de amor ao próximo sofredor deve permanecer e ser reavivada através de iniciativas pessoais e comunitárias de partilha e solidariedade. Sabemos que os problemas sociais são complexos exigindo muito mais do que ações emergenciais, no âmbito político e econômico, mas a miséria e a fome não permitem esperar um futuro distante ou deixar para depois. É urgente reavivar ou redobrar a partilha nas comunidades. Os dados estatísticos são importantes, assim como as notícias veiculadas pelos meios de comunicação, pois ajudam a enxergar melhor a realidade e a reconhecer a sua gravidade, mas é preciso ter cuidado para não reduzir as pessoas a números ou a notícias. Basta ter os olhos, os ouvidos e o coração abertos para ver o sofrimento nas ruas, nas periferias e nas filas em busca de alimentos ou de assistência médica.

É preciso rezar, amar e servir, como Santa Dulce dos Pobres e tantas outras mulheres e homens que se doam generosamente a servir o próximo mais sofredor. A recente celebração de Corpus Christi recordou que a partilha do pão eucarístico deve ser precedida e acompanhada da partilha do pão de cada dia nas mesas. Necessitamos de mais solidariedade e partilha para enfrentar as situações de pobreza e sofrimento que se abatem sobre as nossas famílias. Há também instituições de caridade e obras sociais necessitadas de maior apoio, dentre elas, as Obras Sociais de Irmã Dulce (OSID) que necessita de socorro urgente para continuar a amar e servir como Santa Dulce dos Pobres. A Campanha Um Milhão de Amigos para Santa Dulce é uma oportunidade singular para vivenciar a solidariedade e a partilha. Não podemos perder a capacidade de chorar e de ser solidário perante o sofrimento alheio, num contexto social marcado pelo agravamento da pobreza.

É sempre muito importante o que cada um pode fazer e o que cada comunidade eclesial ou organização social podem fazer para o enfrentamento das situações que afligem as famílias empobrecidas, mas é indispensável a atuação das autoridades e dos órgãos públicos. Não podemos jamais cansar-nos de estender as mãos, especialmente neste tempo dramático que vivemos. Há muita gente à espera de mãos estendidas. É urgente a partilha!

*Artigo publicado no jornal A Tarde no dia 19 de junho de 2022.

Compartilhar:

Categorias

Veja também

Artigos de Dom Sergio, Formação, Notícias

Sacramentos

Horários de

Missa

Ano Jubilar

Notícias relacionadas

Retomada da Equipe Sinodal Arquidiocesana marca novo impulso para implementação do Documento Final do Sínodo

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia retomou, na manhã deste sábado, 11 de abril, as atividades da Equipe Sinodal Arquidiocesana. O encontro aconteceu

Programa Oração Por Um Dia Feliz – 11.04.2026



Programa Oração Por Um Dia Feliz – 10.04.2026



Continue navegando