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A Bíblia: o que é? O que não é?

Bíblia - Catiane Leandro 26-08-15 (4)Por padre Carlos André Leandro

Sempre, e cada vez de maneira diferente, se repete as mesmas perguntas sobre a Bíblia: O que diz a Bíblia? Porque diz isso? O que significa isso ou aquilo? E se escuta também sem parar as mesmas lamentações: não entendo, é difícil de ler, é complicada, não consigo. Então, para começar nossa conversa, vamos separar alhos de bugalhos, ou como prefere Jesus, joio de trigo!

É sempre mais fácil começar a definir algo pelo que não é, então vamos começar dizendo que a Bíblia não é a Palavra de Deus! Hã? Isso mesmo que você leu, a bíblia não é a Palavra de Deus, pois ela não poderia conter em suas páginas mais do que uma reflexão sobre o que Deus revelou aos homens. A Palavra de Deus dizemos que é Jesus, a Palavra de Deus é a natureza, a Palavra de Deus é toda manifestação de Seu amor por nós, inclusive na Bíblia encontramos por excelência o testemunho deste amor!!! Por isso, a Palavra de Deus é muito maior do que a Bíblia. A Palavra de Deus se encontra registrada nas páginas da Bíblia em forma de reflexão, poema, histórias, novelas, anedotas, ditados populares, ensinamentos etc. Assim como dizemos “Deus é mais”, a Sua Palavra também é mais do que um livro pode conter.

Uma vez compreendido isso, fica mais fácil aceitar que a Bíblia não é um livro de regras para bem viver; não é um livro de história; não é um livro “caído do céu”, direto das mãos de Deus. Por fim, a Bíblia não é UM livro, mas são vários livros reunidos num único volume por uma questão de comodidade. Já que começamos a dizer o que a Bíblia é, vamos continuar. Nesta coleção de livros que é a Bíblia, muitos outros tentaram entrar e teve até quem já esteve mas saiu. Isso se chama CÂNON, ou lista de livros aprovados como dignos de conter um ensinamento válido sobre o que se deve crer. Ora, ao dizer isso já estamos explicando que a escolha dos livros que vão formar a Bíblia pode ser diferente entre as comunidades cristãs e judaicas. Conforme as tradições ou a fé professada por cada comunidade e na medida que mais livros fazem parte da lista aprovada por elas,o tamanho da Bíblia pode ir aumentado, nesta ordem: Hebraica > Protestante > Católica > Ortodoxa.

Mas o que a Bíblia é não se reduz a uma lista de livros. Ela é antes de tudo expressão da fé destas comunidades que conservaram e transmitiram seus livros. Por isso, a Bíblia é o reflexo escrito de uma experiência que antes foi vivida, compartilhada e confirmada no tempo. E como tudo que é escrito, a Bíblia é um livro criativo, cheio de imagens, símbolos e histórias contadas sem medo de parecer irreal, por isso espera que o seu leitor seja inteligente para discernir a verdade em cada fantasia. A Bíblia é também um livro que imita a vida humana da forma mais simples possível, de modo que qualquer um, onde quer que esteja e em qualquer época possa se identificar. Quer alguns exemplos? Então veja como a Bíblia conta a fantasia de um peixe que engole Jonas e o devolve numa praia, mas imita a vida quando mostra a violência, o ódio, a vingança, mas também a ternura, o amor o heroísmo. Por isso a Bíblia é como um espelho, cada um que a lê percebe algo de si dentro dela, assim o convite a entrar nas suas histórias significa estabelecer uma relação com Deus, da mesma forma que fez quem a escreveu.

Uma vez mais, a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas precisamos completar isso. O texto da Bíblia é composto de palavras extraídas da experiência humana, elas tentam traduzir literariamente aquilo que Deus quis comunicar. É essa comunicação a Palavra de Deus e não as palavras da Bíblia (só uma observação: entende porque na missa não dizemos, após cada leitura, “Palavras”, no plural, mas “Palavra do Senhor”, no singular?). Essa é a razão porque precisamos interpretar as palavras da Bíblia com cautela, pois não devemos deduzir uma comunicação divina diretamente do texto, isso seria o que chamamos de fundamentalismo. Não existe comunicação sem interpretação, não existe nenhum meio mágico pelo qual todo ser humano de todas as épocas fosse capaz de entender sempre a mesma mensagem de um mesmo livro. O Espírito Santo não é feiticeiro! Por isso, assim como a Bíblia não se formou sem a inteligência e a criatividade humana, não será sem essas qualidades que Deus vai continuar a nos ensinar através das páginas sagradas.

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