A Arquidiocese de São Salvador da Bahia deu início, no dia 22 de fevereiro, ao Jubileu Arquidiocesano que celebra os 475 anos de criação da Diocese de São Salvador da Bahia e os 350 anos de sua elevação à Arquidiocese Primacial do Brasil. A abertura solene reuniu inúmeros fiéis, religiosos, diáconos e sacerdotes em um momento marcado pela fé, memória histórica e ação de graças [CLIQUE AQUI E VEJA MAIS FOTOS].
A programação teve início com a concentração em frente à Igreja Nossa Senhora da Ajuda, primeira Catedral do país, onde os fiéis rezaram o Terço diante das imagens de Nossa Senhora da Conceição – padroeira da Bahia – e do Santíssimo Salvador – Titular da Catedral Basílica. De lá, os participantes seguiram em procissão até a Catedral Basílica do Santíssimo Salvador, onde foi celebrada a Missa de abertura, presidida pelo Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil, Cardeal Dom Sergio da Rocha.
Durante o trajeto, acompanhado pela banda da Polícia Militar, o padre Jailson Jesus, doutor em História da Igreja, destacou marcos importantes da caminhada da Igreja na capital baiana. Entre eles, a própria Igreja da Ajuda; a antiga Sé Primacial — demolida no início do século XX e cujo espaço hoje abriga o monumento Cruz Caída — e o Palácio Arquiepiscopal, símbolos da presença evangelizadora ao longo dos séculos.
Na Catedral, a celebração foi marcada pela fé e por forte caráter histórico e simbólico. No comentário inicial, foi recordada a missão da Igreja Primacial do Brasil ao longo de quase cinco séculos, destacando a fecundidade vocacional, as obras educativas e caritativas e a contribuição decisiva para a evangelização do país. Também foi ressaltado o dom da santidade florescido na Arquidiocese, com menção à primeira santa brasileira, Santa Dulce dos Pobres.
A Eucaristia foi concelebrada pelos bispos auxiliares da Arquidiocese de Salvador, Dom Marco Eugênio Galrão, Dom Gabriel dos Santos Filho e Dom Gilvan Pereira Rodrigues; pelo presidente da CNBB Regional Nordeste 3 e bispo da Diocese de Camaçari, Dom Dirceu de Oliveira Medeiros; pelo bispo da Diocese de Araçuaí, Dom Esmeraldo Barreto de Farias; pelo arquiabade do Mosteiro de São Bento, Dom Emanuel d’Able do Amaral; além de sacerdotes do clero arquidiocesano.
O padre Paulo Nunes, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Stella Maris, também ressaltou a importância histórica e missionária da Celebração. “É uma alegria poder comemorar 475 anos desta Diocese e olhar para toda essa história, percebendo o que aprendemos para o tempo de hoje”, afirmou. Segundo ele, os passos dados ao longo dos séculos ajudam a construir o futuro desejado pela Igreja. O sacerdote também recordou os inúmeros homens e mulheres que, por meio da pregação, da evangelização e da vida consagrada, doaram-se pela missão em Salvador — a primeira diocese do Brasil — contribuindo decisivamente para a história da fé no país. “Hoje chegamos a essa etapa da história para continuar construindo o futuro. Esta Diocese ainda tem muito a fazer e a construir, para seguir testemunhando o Evangelho de Deus”, concluiu.
Após a incensação do altar, foram acolhidos os símbolos jubilares, apresentados por representantes de paróquias históricas da Arquidiocese: a Bula de criação da Diocese (1549), a Bula de elevação à Arquidiocese (1676), as primeiras Constituições do Arcebispado da Bahia (1707) e a Vela Jubilar, sinais da continuidade e da fidelidade da Igreja ao longo do tempo.
Durante a Celebração, Dom Sergio ressaltou que o Ano Jubilar constitui “uma ocasião especial de ação de graças”, primeiramente para a Igreja Primacial do Brasil. “Iniciamos hoje este tempo especial louvando a Deus por esta Igreja querida que completa 475 anos. A história dessa Igreja é a história da Igreja no Brasil”, afirmou. Segundo o Arcebispo, a graça do Jubileu ultrapassa os limites da Arquidiocese e alcança as diversas dioceses que dela nasceram ao longo dos séculos, recordando que São Salvador é a Igreja Mãe de tantas Igrejas particulares no país. “Somos a Igreja primacial, a primeira diocese do país. Queremos ter não só a primazia histórica, mas a primazia da fé e da caridade”, enfatizou.

Dom Sergio também sublinhou que o Jubileu é tempo de memória e compromisso. “O Ano Jubilar Arquidiocesano é ocasião para fazer memória da história rica da qual fazemos parte, mas também para olhar para o presente”, disse. Ele explicou que o olhar agradecido para o passado deve conduzir a um renovado empenho missionário: “Esse olhar cheio de gratidão se completa com o compromisso de evangelizar sempre mais. É ocasião de pensar melhor a própria missão evangelizadora da Igreja e de dar passos maiores na ação pastoral e missionária”, afirmou.
No ofertório, membros de Irmandades centenárias conduziram ao altar o pão e o vinho, representando o protagonismo do laicato na Igreja Primacial. Entre as devoções recordadas estiveram o Senhor do Bonfim, o Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia, o Senhor Bom Jesus dos Passos e da Vera Cruz, além da Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo e a Devoção a Sant’Ana.
Entre os fiéis presentes, Antônio Carlos Ramos da Anunciação, da Paróquia dos Santos Cosme e Damião, destacou a importância espiritual do momento. Para ele, a abertura do Jubileu deixa como principal mensagem “o amor, a unidade e o comprometimento com a nossa Santa Igreja Católica Apostólica Romana”. Ministro extraordinário da Sagrada Comunhão, Antônio afirmou sentir-se profundamente honrado por participar da celebração. “Faltam até palavras para definir. Foi realmente uma coisa maravilhosa, que me faz crescer espiritualmente dentro da própria Igreja”, declarou, ressaltando a alegria de integrar um momento histórico para a Arquidiocese.

Antes da bênção final, o vigário episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação e coordenador da Comissão do Jubileu Arquidiocesano, padre Manoel de Oliveira Filho, dirigiu palavras de agradecimento. “Estamos diante de 475 anos de evangelização”, afirmou, destacando que a celebração é ocasião para recordar, com gratidão, todos os que precederam a Igreja na missão, mas também para voltar o olhar ao presente e ao futuro. “A partir das moções do Espírito, da vontade de Deus e dos grandes desafios da evangelização, olhamos para frente com muita alegria e esperança”, disse. Para o sacerdote, o momento é de agradecer por tudo o que Deus realizou “em nós, por nós, através de nós, e, apesar de nós”, renovando o compromisso, pois “evangelizar é um desafio novo a cada dia”, disse.

A abertura do Jubileu marca o início de um ano especial de celebrações, convidando toda a Arquidiocese a renovar o compromisso com a missão evangelizadora, em espírito de comunhão, esperança e profunda ação de graças pelos 475 anos de história da Igreja em Salvador. “O Ano Jubilar sempre produz frutos que vão além daquilo que podemos prever. Deus já está agindo e continuará a agir na vida da Arquidiocese, tornando-a sempre mais fiel e fecunda na sua missão evangelizadora”, afirmou Dom Sergio, manifestando ainda confiança nos frutos espirituais do Jubileu e pedindo que este tempo especial seja marcado pelo crescimento na vivência e no testemunho da fé e da caridade.
Texto e fotos: Sara Gomes





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