
Após informar que na Nigéria há apenas 54 dioceses e que o número de bispos não chega a 70, dom Kaiagama apontou os muitos problemas enfrentados pelo país. “Há o extremismo religioso, promovido pelo grupo Boko-Haram, islâmico terrorista, e o problema de conflitos étnicos no país. A pobreza é a consequência destes dois problemas. Há, inclusive, um caso de uma diocese que rejeitou o próprio bispo, por ele não possuir a mesma etnia”, relatou. Segundo o bispo, “a Conferência de Bispos da Nigéria é a voz dos que não têm voz”.
Desde 2009, o grupo islâmico terrorista conseguiu conquistar uma parte do Nordeste da Nigéria, onde estabeleceram o seu Califado. Dom Kaiagama recordou que há dois anos, 219 meninas foram captadas e ainda estão mantidas em cativeiro.
“Além de castigar e matar os cristãos, o grupo terrorista islâmico ataca os próprios muçulmanos, dificultando os seus momentos de oração. Até o presente, duas dioceses foram atingidas, com as atividades deste grupo. Atualmente, centenas de milhares de pessoas estão desalojadas. Conventos e paróquias foram fechados. O Seminário menor foi queimado. A minha Igreja, na Arquidiocese de Jos, foi atacada e muitas pessoas foram mortas”, denunciou.
Mesmo neste contexto, o arcebispo observa que há muitos muçulmanos abertos ao diálogo e que são moderados. Porém, ressalta que o grupo terrorista islâmico, Boko-Haram, por sua vez, é irracional e insensível, indisposto ao diálogo. “Muitos cristãos têm a tentação de querer lutar com os muçulmanos, quando tentamos proteger a nossa fé e a identidade cristã. Não podemos nos fechar em nós mesmos”, disse.
Fonte: CNBB