Em entrevista, Dom Murilo fala sobre a celebração do nascimento de Jesus

Os cristãos do mundo inteiro já se preparam para celebrar, no dia 25 de dezembro, a festa do nascimento do Menino Jesus. Para falar sobre este dia especial, marcado pelo verdadeiro e único sentido do Natal, o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, concedeu entrevista. Confira!

Pastoral da Comunicação (Pascom) – Dom Murilo, como podemos definir o “espírito natalino” tão falado nesta época do ano?

Dom Murilo Krieger – A expressão “espírito natalino” é aberta, no sentido de ter vários sentidos. Para muitos, é a expressão de um tempo de alegria, de confraternização, de valorização dos laços familiares, mas sem estar ligada a uma experiência religiosa. Para um comerciante, é a síntese de um momento do ano em que ele conseguirá vender mais produtos e ter maiores lucros. Para um cristão, é a certeza de que Deus o ama, e prova esse seu amor dando-lhe seu Filho Jesus. Isso porque o Natal não é apenas a lembrança de um acontecimento do passado, ocorrido na longínqua Belém, mas um dom de Deus que se renova cada ano. Assim, celebrar o Natal, e viver o espírito natalino, é convencer-se de que podemos ter esperança e nos alegrar, porque Deus não se cansou de nós. Os presentes que nos damos mutuamente passam a ser uma maneira de fazermos o que Deus faz por nós, renovando-nos seus presentes cada dia e, especialmente, no Natal. Outra maneira de viver esse espírito é a celebração da ceia em família: quando Deus quis enviar seu Filho ao mundo, o enviou em uma família, valorizando, pois, a instituição familiar.

Pascom – Como a Igreja se prepara, por meio da Celebração Eucarística, para celebrar o nascimento de Jesus?

Dom Murilo Krieger – Antigamente, a Missa de Natal era celebrada a partir da meia-noite. Quando ela terminava, já se ouviam os primeiros cantos do galo. Hoje, tanto por medida de segurança, como para facilitar o encontro das famílias em torno de uma refeição, a Missa da véspera do Natal (dia 24) é celebrada ao anoitecer. As orações e leituras se referem à alegria que todos vivem porque nasceu o Salvador para nós – e cada um pode dizer: “para mim”. Normalmente, no início da celebração da noite do dia 24 entra a imagem do Menino Jesus, trazido por crianças, e essa imagem é colocada na manjedoura – local em que, nas grutas, era colocada o alimento dos animais. A Missa dessa noite é uma das mais alegres do ano, pois celebramos a chegada do Salvador, que acontece hoje para nós.

Pascom – Que mensagem o senhor poderia deixar aos fiéis da nossa Arquidiocese, para que possam, verdadeiramente, vivenciar o Natal?

Dom Murilo Krieger – Durante quatro semanas, isto é, no tempo do Advento, a Igreja lembrou três vindas de Cristo: sua vinda no passado, quando ele nasceu em Belém; no presente, pois ele nasce hoje em nosso meio, especialmente por sua Palavra e na Eucaristia; no futuro, quando ele virá como juiz para julgar os vivos e os mortos. Para a Igreja, fazer memória da vinda de Jesus não é apenas “lembrar” que ele nasceu em Belém: nas celebrações, os fiéis vivem o acontecimento que se renova hoje. Por isso, não se diz que o Natal é o aniversário de Jesus; afinal, ele não está fazendo, neste ano, 2.019 anos de idade. No Natal, celebramos a vinda de Jesus hoje, em nosso meio, em nossa cidade, em nossa vida. Somos convidados a fazer o que fizeram Maria, José, os Pastores, os Magos do Oriente etc.: diante de Jesus, eles o contemplaram, o adoraram e o acolheram em seu coração, passando a viver segundo seus ensinamentos. Celebrar o Natal é, pois, viver a certeza que foi antecipada pelo profeta Isaías: “Um menino nos é dado”; e nos é dado hoje, como Salvador.