“Vamos a Belém, para ver o que aconteceu, segundo o Senhor nos comunicou” (Lc 2,15). É compreensível essa decisão dos pastores que tomavam conta de rebanhos. Eles estavam maravilhados com a experiência que estavam vivendo: viram o Anjo do Senhor que, envolto em luz, os acalmou: “Não tenhais medo!” (Lc 2,10). Em seguida, anunciou-lhes “uma grande alegria”, que seria também para todo o povo: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!”. Nova surpresa lhes esperava: “De repente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste cantando: ´Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz a todos por ele amados´” (Lc 2,13-14).
Então, os pastores foram às pressas em direção da Gruta, para conhecer o recém-nascido, “envolto em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,16). Depois de encontrá-lo, glorificaram e louvaram a Deus “por tudo o que tinham visto e ouvido” (Lc 2,20).
Ao longo do Advento, também nós fomos convidados a ir em direção de Belém. No final dessa caminhada – isto é, chegado o Natal -, queremos acolher o presente que Deus nos dará: Seu Filho.
Uma virtude que somos chamados a cultivar diante do mistério desta festa é a da simplicidade. Simples é aquele que põe sua confiança unicamente em Deus. É tempo, pois, de nos perguntarmos: confio totalmente no Senhor? Espero alcançar os benefícios de suas promessas? Sou disponível e dócil a Seus planos?
À medida que dermos respostas a essas perguntas, estaremos vivendo a experiência dos pastores de Belém – isto é, estaremos acolhendo o Menino que nos é dado neste Natal de 2019.
Dom Murilo S. R. Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil


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