A Tradição

“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se todas elas fossem escritas uma por uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se escreveriam” (Jo 21, 25).

Os encontros com Jesus de Nazaré eram sempre experiências que transformavam a vida. Suas palavras, gestos e sinais ficavam gravados de forma inesquecível nos que com ele conviviam. Como é natural, reunidas em pequenos núcleos da Igreja nascente, essas testemunhas transmitiam as suas memórias, que, de geração em geração, chegaram até nós.

A Tradição da Igreja é o conteúdo desse rico processo de comunicação e interpretação da Escritura pela Igreja, iniciada pelos apóstolos e perpetuada até nossos dias.

A Tradição compreende, num primeiro momento, os atos e palavras de Jesus que as primeiras comunidades cristãs, assistidas pelo Espírito Santo, reconheceram como autênticos e fundamentais para definir a identidade cristã.

Num segundo momento, a Tradição, que é viva, continua válida e necessária hoje. Ela revela-se viva por meio da interpretação revestida em novas linguagens e culturas da única e imutável Palavra de Jesus.

É importante não confundir Tradição com tradicionalismo. A Tradição é a fé autêntica que recebemos dos que nos precederam; ela nos ajuda a preservar, através dos tempos que mudam, a fidelidade a Jesus de Nazaré, à sua pessoa e à sua doutrina. Já o tradicionalismo é o apego conservador a certos princípios, ritos e costumes em oposição a novas tendências surgidas na sociedade ou na Igreja.

 

Fonte: livro “Sou Católico, vivo a minha fé”, páginas 32 e 33.