Arcebispo de Salvador presidiu Missa pelos 311 anos da páscoa da Serva de Deus Vitória da Encarnação

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia celebrou, na manhã do último domingo (19), os 311 anos da páscoa da Serva de Deus Vitória da Encarnação, com a Santa Missa

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia celebrou, na manhã do último domingo (19), os 311 anos da páscoa da Serva de Deus Vitória da Encarnação, com a Santa Missa na Igreja do Convento Santa Clara do Desterro, na capital baiana, local onde a religiosa viveu a vida consagrada e faleceu, em 1715, deixando um legado de santidade que atravessa mais de três séculos. A Eucaristia foi presidida pelo Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil, Cardeal Dom Sergio da Rocha, e concelebrada pelo capelão do Convento do Desterro, frei Mário Erky. A celebração contou com a animação litúrgica das Irmãs Clarissas do Convento de Feira de Santana, que conduziram os cânticos e favoreceram o clima de oração vivido pelos fiéis.

Durante a homilia, Dom Sergio refletiu sobre o Evangelho do dia e estabeleceu uma relação entre a Palavra de Deus e a vida da Madre Vitória da Encarnação. Utilizando as três parábolas, apresentadas por Jesus, o Arcebispo destacou que Madre Vitória foi como o grão de trigo que, ao ser lançado na terra, produz frutos abundantes. Sua existência, vivida na simplicidade do claustro, tornou-se fecunda pela fidelidade ao Evangelho, pela intensa vida de oração e pela total entrega a Deus. “O trigo que morre para produzir frutos nos recorda que a verdadeira fecundidade nasce da doação. Assim foi a vida de Madre Vitória, que ofereceu sua existência ao Senhor e continua produzindo frutos na vida da Igreja”, destacou o Cardeal.

Nascida em Salvador por volta de 1661, Vitória da Encarnação ingressou ainda jovem no Convento de Santa Clara do Desterro, o primeiro mosteiro feminino do Brasil. Ali viveu integralmente sua vocação como religiosa clarissa, distinguindo-se pelo amor à Eucaristia, pela devoção à Paixão de Cristo, pela humildade, pelo espírito de penitência e pela caridade para com as Irmãs da comunidade. Sua vida de recolhimento não impediu que se tornasse conhecida entre o povo baiano, que via nela uma mulher de profunda intimidade com Deus.

Após sua morte, em 19 de julho de 1715, sua fama de santidade difundiu-se rapidamente. Diversos relatos de graças alcançadas por sua intercessão passaram a ser registrados ao longo dos anos, fortalecendo a devoção popular. Esse reconhecimento motivou a abertura de sua Causa de Beatificação e Canonização. Em 8 de novembro de 2019, a Santa Sé autorizou a promulgação do decreto que reconheceu oficialmente as virtudes heroicas da religiosa, conferindo-lhe o título de Serva de Deus, etapa importante no caminho rumo aos altares.

Ao recordar os 311 anos de sua páscoa definitiva, Dom Sergio ressaltou que a memória de Madre Vitória continua sendo um convite à santidade. Segundo o Arcebispo, seu testemunho demonstra que uma vida escondida aos olhos do mundo pode exercer profunda influência na história da Igreja quando é vivida em total comunhão com Cristo.

A Celebração reuniu fiéis, religiosas e devotos que, ano após ano, mantêm viva a memória da Serva de Deus no mesmo lugar onde ela viveu sua consagração e concluiu sua caminhada terrena. O Convento do Desterro permanece como um espaço privilegiado de oração e peregrinação, preservando a lembrança daquela que continua inspirando tantos cristãos a responderem com fidelidade ao chamado de Deus.

Ao celebrar a memória da Serva de Deus Vitória da Encarnação, a Arquidiocese reafirma a importância de valorizar os testemunhos de santidade nascidos em solo baiano, reconhecendo que a vida da religiosa continua sendo um sinal eloquente da ação da graça de Deus e um convite permanente à confiança, à oração e ao seguimento de Cristo.

Fotos: Sara Gomes

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