Depois de nove dias de preparação refletindo sobre o tema “ A exemplo de Irmã Dulce, somos chamados a dizer com a vida: ‘Eu vim para servir’’’o santuário da religiosa recebeu na manhã desta quinta-feira (13), milhares de fiéis para festejar o Dia da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres.
Presidida por Dom Murilo Krieger,scj e concelebrada por Dom Tommaso Cascianelli, CP, e por outros padres que estiveram presentes, a missa solene teve início às 10h com a entronização da imagem da venerável Dulce dos pobres sob os aplausos de fiéis e queima de fogos.
“Nós precisamos de modelos. Desde o início da igreja se entendeu a importância daqueles que foram chamados testemunhas do evangelho, para mostrar que a proposta de Jesus não é uma proposta teórica impossível, inalcançável. O fato de termos pessoas da nossa cidade, pessoas que foram conhecidas, como irmã Dulce, como irmã Lindalva e podermos apresentar, dizer assim, ‘olha, aqui está quem viveu seriamente o evangelho’, essa possibilidade é uma graça imensa, traz a santidade pra perto”, reflete o Arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger.
Dia de festa
O 13 de agosto foi escolhido como o dia oficial da festa litúrgica da beata baiana porque foi nesta mesma data, em 1933, na
Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus (em Sergipe), que Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, aos 19 anos de idade, recebia o hábito de freira e adotava, em homenagem à sua mãe, o nome de Irmã Dulce.
Para Padre Gil Peixinho, reitor do Seminário Central São João Maria Vianney, Irmã Dulce é exemplo de cuidado com o mais pobre. “Irmã Dulce pra nós é um ícone da caridade na Bahia, nos ajuda a viver plenamente o evangelho mostrando que não é possível viver o evangelho sem cuidar dos mais necessitados, dos mais pobres”, conta.
A paroquiana de Nossa Senhora dos Mares, Angela Gomes, conheceu Irmã Dulce, é devota desde a sua morte e desenvolveu pela beata uma gratidão por interceder sempre por sua família. “Eu conheci a irmã Dulce quando eu vim trabalhar aqui em 1978, o meu primeiro emprego foi aqui na escola Santo Antônio de Círculo Operário da Bahia, que foi fundada por ela. Eu e minha família estamos aqui dando graças a Deus em primeiro lugar e a ela, por ter possibilitado a grande alegria de proporcionar conversões na vida da minha família”, relata.
Mãe dos Pobres – Nascida em 26 de maio de 1914, na cidade de Salvador, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes começou a manifestar interesse pela vida religiosa desde cedo, ainda no início da adolescência.
Aos 13 anos de idade, já atendia doentes no portão de sua casa, no bairro de Nazaré. Sempre com muita fé, amor e serviço, o Anjo Bom iniciou na década de 1930 um trabalho assistencial nas comunidades carentes, sobretudo nos Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe, na capital baiana.
Em 1949, Irmã Dulce ocupou um galinheiro ao lado do convento, após a autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes.
A iniciativa deu início à criação das Obras Sociais Irmã Dulce, instituição considerada hoje um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, com cerca de quatro milhões de atendimentos ambulatoriais por ano. Irmã Dulce faleceu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos, e atualmente está em processo de canonização. Para ser canonizada (declarada Santa) é necessária a comprovação de mais um milagre atribuído à freira baiana.
Dom Tommaso Cascianelli, bispo da cidade de Irecê e grande admirador da freira, destaca as características do Anjo Bom da Bahia. “Irmã Dulce foi um anjo bom de amor, de caridade […] ela deu frutos para todos, sem excluir ninguém, mas privilegiando os pobres e os enfermos. Que irmã Dulce continue em cada um de nós, se perpetuando nesse grande amor”, conclui.
Fotos: Catiane Leandro
























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