Pela imposição das mãos do Arcebispo de Salvador, seminaristas Alessandro de Alcântara e José Valter receberam a Ordenação Diaconal

Diante do altar, Alessandro e José Valter manifestaram publicamente o desejo de servir à Igreja, assumindo os compromissos próprios do ministério diaconal

Em uma celebração marcada pela emoção, pela oração e pelo compromisso renovado com o serviço à Igreja, a Arquidiocese de São Salvador da Bahia acolheu, na manhã deste sábado (4), a Ordenação Diaconal dos seminaristas Alessandro de Alcântara Roque e José Valter Paiva de Souza. A Missa, realizada na Catedral Basílica do Santíssimo Salvador, foi presidida pelo Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil, Cardeal Dom Sergio da Rocha, e concelebrada pelos bispos auxiliares, Dom Marco Eugênio Galrão, Dom Gabriel dos Santos Filho e Dom Gilvan Pereira Rodrigues, que atualmente é reitor do Seminário São João Maria Vianney; e por padres do clero arquidiocesano e de outras dioceses.

Ao longo da celebração, a liturgia evidenciou que o diaconato não representa um reconhecimento pessoal, mas um chamado de Deus para uma vida de entrega. Diante do altar, Alessandro e José Valter manifestaram publicamente o desejo de servir à Igreja, assumindo os compromissos próprios do ministério diaconal, entre eles a obediência ao Arcebispo, a vivência do celibato e a dedicação ao anúncio da Palavra, à caridade e ao serviço litúrgico.

Logo após a Proclamação do Evangelho, teve início o Rito da Ordenação Diaconal. Pela chamada, apresentação e eleição dos candidatos, a Igreja Particular pediu ao Arcebispo que os admita à Ordem dos Diáconos. Em seguida, na homilia, inspirada no Evangelho de João (15,9-17), Dom Sergio recordou que a identidade do diácono nasce do próprio Cristo Servo, que, na Última Ceia, lavou os pés dos discípulos e, na cruz, entregou a própria vida por amor. “O diaconado é serviço”, destacou o Cardeal, afirmando que esse ministério exige um coração configurado ao de Jesus, disposto a amar, servir e doar-se inteiramente ao povo de Deus.

O Arcebispo ressaltou ainda que, desde as origens apostólicas, o ministério diaconal está profundamente ligado ao serviço da caridade. Por isso, exortou os novos diáconos a manterem um olhar atento aos que mais sofrem, especialmente às famílias, aos pobres e aos mais vulneráveis. “Não podemos ficar indiferentes diante de tantas situações de dor. Somos chamados a sair ao encontro dos que mais sofrem”, afirmou, recordando que a Igreja é reconhecida pela vivência concreta da caridade.

Outro aspecto enfatizado por Dom Sergio foi a missão dos diáconos como ministros da Palavra. Ao comentar o rito da entrega do Livro dos Evangelhos, o Cardeal recordou a exortação da Igreja aos ordenandos: transformar em vida aquilo que proclamam, ensinar aquilo em que creem e testemunhar, no cotidiano, a Palavra de Deus. Segundo ele, o anúncio do Evangelho ultrapassa os limites das celebrações litúrgicas e deve alcançar todos os ambientes por meio do testemunho de vida.

Dirigindo-se diretamente aos novos diáconos, Dom Sergio recordou que a vocação é, antes de tudo, um dom gratuito de Deus. Citando as palavras de Jesus — “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi” —, explicou que toda resposta vocacional nasce da iniciativa divina e deve produzir frutos duradouros. Esses frutos, acrescentou, manifestam-se na fidelidade ao Evangelho e no mandamento novo do amor, vivido à maneira de Cristo, que “amou até o fim”.

A homilia também destacou a dimensão da alegria no ministério. O Arcebispo convidou Alessandro e José Valter a viverem o diaconato com entusiasmo, mesmo diante das dificuldades próprias da missão. “Precisamos de diáconos que manifestem a alegria de amar e servir”, afirmou, incentivando-os a permanecerem próximos do povo e a assumirem, com generosidade, a missão da Arquidiocese de Salvador, especialmente neste Ano Jubilar Arquidiocesano.

Dom Sergio dedicou ainda uma reflexão ao compromisso do celibato, assumido pelos novos diáconos. Segundo ele, trata-se de um sinal de disponibilidade total para Deus e para o serviço ao povo, expressão de um amor oblativo sustentado pela oração, pela vida fraterna, pela Eucaristia e pela caridade pastoral. O Cardeal ressaltou que o celibato não significa incapacidade de amar, mas uma forma plena de viver esse amor, na entrega total ao Reino de Deus.

Ao concluir a homilia, o Arcebispo dirigiu palavras de incentivo aos ordenados, pedindo que não desanimem diante dos desafios da missão. Também agradeceu às famílias, aos formadores, aos sacerdotes, aos amigos e a toda a comunidade que acompanhou e sustentou o caminho vocacional dos dois novos diáconos. “Contem, acima de tudo, com a graça de Deus”, concluiu.

Terminada a homilia, os eleitos exprimiram o firme propósito de exercer com fidelidade o ministério diaconal, assumindo também o compromisso do celibato. Após a oração consecratória e a imposição das mãos, Alessandro de Alcântara e José Valter Paiva de Souza receberam as vestes diaconais e os símbolos próprios do ministério, sendo acolhidos pelo presbitério e pela assembleia sob forte emoção. A celebração tornou-se, assim, não apenas um marco na vida dos ordenados, mas também um sinal de esperança para a Igreja de Salvador, que recebe dois novos ministros chamados a anunciar o Evangelho, servir ao altar e tornar visível, por meio da caridade, o amor de Cristo no meio do povo.

Fotos: Sara Gomes

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