Reflexão sobre o Evangelho do 25º Domingo do Tempo Comum

"Que nesta liturgia Jesus possa te chamar pelo nome e desejar ficar no seu coração eternamente"

Confira o Evangelho do 25º Domingo do Tempo Comum (22 de setembro) e a homilia preparada pelo padre Josuel Jesus da Silva, pároco da Paróquia Nossa Senhora dos Alagados e São João Paulo II, reitor do Santuário São José (Colégio São José) e assessor da Juventude do Regional Nordeste 3:

Evangelho (Mc 9,30-37)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— Pelo Evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 30 Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31 pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. 32 Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. 33 Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutíeis pelo caminho?” 34 Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. 35 Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” 36 Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: 37 “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

                       Padre Josuel Jesus

Reflexão

A belíssima liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum convida-nos a escolher entre a “sabedoria do mundo” e a “sabedoria de Deus”. A “sabedoria do mundo” talvez nos torne importantes, humanamente falando, mas apenas nos proporciona uma felicidade passageira, sem preenchimento do coração. A “sabedoria de Deus”, por outro lado, não nos assegura glórias e as vitórias humanas, mas leva-nos ao encontro de algo infinitamente mais valioso: a verdadeira felicidade que é estar nos braços de DEUS.

O Evangelho deste domingo se passa na travessia do mar da Galileia, no lugar do chamado onde tudo acontece no coração dos discípulos. Seguindo a dinâmica do segredo messiânico, nos apresentado na liturgia do domingo passado, que nos indagava com a pergunta: “Quem sou Eu para vós?”, Jesus não queria que ninguém soubesse o que Ele estava fazendo e os milagres que muitos alcançavam . O segredo do Messias faz parte da construção pedagógica do evangelho de Marcos, que considera a cruz como o lugar da revelação plena de Jesus (Mc 15,39).

Contudo, outra vez, Jesus anuncia Sua Paixão, Morte e Ressurreição. É bom lembrar que, na estratégia desse evangelho, Jesus realiza, antes da narrativa da Paixão, três principais anúncios desse segredo messiânico (8,31; 10,32-34). Jesus estava ensinando Seus discípulos (v. 30-31). Em Marcos, vale compreender que o Senhor é o verdadeiro mestre que ensina, um verdadeiro pedadogo que forma os discípulos para o apostolado que virá após Pentecostes. Ele é o verdadeiro mistagogo que ensina a Seus discípulos o sentido daquilo que eles estão fazendo em Seu seguimento. No versículo 32, o evangelista Marcos salienta que eles não compreendiam as palavras de Jesus e tinham medo de perguntar-lhe algo. Nesse Evangelho, um elemento expressivo é a incompreensão por parte dos discípulos: o mistério da cruz assusta, por isso eles são lentos em discernir quem é Jesus.  Eles acreditavam que o Senhor fosse para Jerusalém a fim de reinar gloriosamente, retirar do trono os poderosos. Jesus, porém, nesse prenúncio, afirma ir para morrer, para entregar a vida o que para os discípulos é sinal de fracasso e de dor. Esvazia-se, assim, o sentido que os discípulos formaram a respeito do Messias. Jesus se propõe como um “Messias alternativo”, diferente e inesperado, que vai doar a vida na cruz, em resgate de muitos (Mc 10,45).

No versículo 33, ao chegarem à cidade de Cafarnaum, na casa de Simão Pedro, apresentado pelo santo evangelho (Mc 1,29), Jesus pergunta-lhes: “O que estavam discutindo pelo caminho?”. Eles, porém, calados, não disseram nada, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior (v. 34). Jesus sentou-se (v. 35) posição daquele que é o mestre, daquele que ensina, o verdadeiro pedagogo, e começou a formar os Seus discípulos: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos”. Essa inversão de posições demonstra o sentido verdadeiro para Jesus: o primeiro é o que serve, e não aquele que é servido. Nos versículos 36-37, Jesus surpreende mais ainda na Sua formação. Ele pega uma criança, coloca-a no meio deles, a abraça carinhosamente e com toda a autoridade de Mestre diz: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que está acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo não a mim, mas àquele que me enviou”. É bom lembrar, meus irmãos, que, no tempo de Jesus, as crianças não tinham importância social e ficavam às margens assim como as mulheres e os pecadores que não tinha voz nem vez. Ao fazer isso, o Senhor tira as crianças da periferia existencial e as coloca no centro, pois a vida de cada uma delas é imprescindível diante dos olhos de Deus, simbolizando a abertura ao Reino e ao coração de Deus, por sua fragilidade, despojamento e autenticidade. Acolher uma criança é, a partir de agora, acolher o próprio Jesus; e acolhê-lO é acolher o Pai. Para o Senhor, as crianças têm uma dignidade imprescindível, pois retratam a absoluta abertura ao amor de Deus.

Termino essa reflexão com uma pequena história de Santa Teresa D’Ávila que nos espaços do Carmelo encontrou bom um menino.

Conta-se que o fato ocorreu no Mosteiro da Encarnação, em Ávila, em um dia que a Madre descia as escadas e tropeçou, enquanto um precioso menino lhe sorria. Sóror Teresa, surpresa por ver uma criança dentro do Convento, lhe pergunta: “Quem sois?”. Ao que o menino lhe responde com outra pergunta: “E quem sois tu?”. A Madre lhe disse: “Eu sou Teresa de Jesus”. E o menino, com um amplo e luminoso sorriso, lhe diz: “Pois, eu sou Jesus de Teresa”.

Que nesta liturgia Jesus possa te chamar pelo nome e desejar ficar no seu coração eternamente.

 

 

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