Confira o Evangelho deste domingo (29 de dezembro) – Festa da Sagrada Família – e a homilia preparada pelo vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padre Pedro Azevedo:
Evangelho (Lc 2,41-52)
— Aleluia, Aleluia, Aleluia.
— Que a paz de Cristo reine em vossos corações e ricamente habite em vós sua palavra!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas
— Glória a vós, Senhor.
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43 Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44 Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45 Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46 Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47 Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48 Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura.” 49 Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” 50 Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. 51 Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. 52 E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

REFLEXÃO
Fraternos irmãos e irmãs, paz e alegria no Senhor!
Hoje, ao celebrarmos a Sagrada Família de Nazaré, somos convidados a olhar para o lar de Jesus, Maria e José como um modelo de amor, comunhão e obediência a Deus. Esta solenidade nos ajuda a refletir sobre o papel da família, a sua vocação e missão no plano de Deus, especialmente neste tempo em que abrimos na nossa Arquidiocese de Salvador o Jubileu da Esperança.
No Evangelho proclamado, São Lucas nos apresenta um episódio especial: Jesus, ainda jovem, manifesta que sua missão está intimamente ligada ao desejo do Pai. No entanto, Ele também retorna a Nazaré com seus pais, vivendo na obediência e no amor filial. É um ensinamento claro: a santidade passa pela vivência concreta e diária no ambiente familiar, onde aprendemos a amar e servir.
A família, como nos lembra o Papa Francisco, é o “santuário da vida, o lugar onde o amor de Deus é experimentado e compartilhado” (Amoris Laetitia, 1). Mas esse amor não é idealizado; ele se constrói nos desafios e nas alegrias cotidianas. São João Crisóstomo descreve a família como uma “pequena Igreja”, onde a fé é ensinada, cultivada e testemunhada (Homilias sobre a Carta aos Efésios, Homilia 20).
Hoje, ao celebrarmos o Jubileu da Esperança, temos a alegria de recordar que Deus caminha conosco, mesmo em nossas famílias fragilizadas. O Papa Bento XVI, em uma homilia de 2011, destacou que “a família é o lugar onde se experimenta o amor que supera dificuldades, a fé que fortalece e a esperança que renova”. Assim como a Sagrada Família enfrentou dificuldades – desde a fuga para o Egito até a perda de Jesus no Templo –, nossas famílias são chamadas a viver na confiança de que Deus renova todas as coisas.
Na segunda leitura, São Paulo, na Carta aos Colossenses, nos oferece um itinerário essencial: revestir-se de misericórdia, bondade, humildade e paciência. Essas virtudes são o alicerce de lares que refletem o Reino de Deus. Santo Agostinho reforça: “Se queremos paz no mundo, devemos cultivá-la primeiro nas famílias” (Sermão 213).
O Jubileu da Esperança em nossa Arquidiocese nos desafia a olhar para a realidade de nossas famílias com mais amor e esperança. Como disse o Papa Francisco: “A santidade da família é feita de gestos simples, mas repletos de amor” (Amoris Laetitia, 315). Não precisamos de famílias perfeitas, mas de famílias abertas ao perdão, à reconciliação e à escuta. Que este tempo jubilar nos inspire a ser famílias que rezam juntas, partilham o amor e buscam a Deus em suas realidades concretas.
Concluo com um convite: inspiremo-nos na Sagrada Família para renovar nossa vocação familiar. Que Maria, José e Jesus nos ensinem a confiar que Deus permanece presente em nossas casas, mesmo nas incertezas. Como comunidade da Arquidiocese de Salvador, unamo-nos neste Jubileu da Esperança, celebrando a presença viva de Deus entre nós. Que possamos levar para nossas casas o compromisso de sermos sinais de esperança e unidade. Que o Jubileu da Esperança seja um tempo de graça para a Igreja, para as nossas famílias e para todos aqueles que precisam redescobrir a beleza do amor e da fé. Amém.


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