Uma Catedral muito especial

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

Cada igreja denominada “catedral” goza de especial importância, enquanto sede da “cátedra” do bispo ou arcebispo, e enquanto Igreja-mãe de cada diocese ou arquidiocese. Em Salvador, a Catedral reveste-se de singular relevância, por ser a Sé Primacial do Brasil, com sua rica história e acervo artístico; por ser Basílica Menor conforme documento do Papa Pio XI, aos 16 de janeiro de 1923; e ainda mais, por ser dedicada ao Santíssimo Salvador.

Toda catedral, uma vez concluída totalmente, ou em grande parte, é dedicada. Suas paredes e o altar principal são ungidos com o óleo santo do Crisma, numa celebração que ocorre uma única vez, chamada “dedicação da igreja”. Segundo várias fontes escritas, o atual templo da Sé Primacial do Brasil foi dedicado no ano 1672, portanto, há 350 anos, ao Santíssimo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Além das referências ao titular da catedral encontradas nas bulas pontifícias de criação da diocese e de elevação à arquidiocese, há dois documentos que definem claramente o Santíssimo Salvador como o titular da Catedral: um documento da então Congregação para os Sagrados Ritos, datado de 16.02.1754, e o Breve de Papa Pio XI, de 16.01.23, elevando a Catedral à dignidade de Basílica Menor.

Conforme o Diretório da Liturgia da Igreja no Brasil, a celebração ocorre anualmente no dia 25 de junho, devendo ser realizada, segundo as normas litúrgicas, como “solenidade” na igreja-catedral e como “festa” litúrgica no restante da Arquidiocese. Neste ano, por razão pastoral, a celebração na Catedral Basílica está ocorrendo no domingo, dia 26. Assim sendo, trata-se de uma celebração de grande importância para a Igreja local, uma oportunidade privilegiada para o fortalecimento da unidade eclesial e a valorização da Igreja-Mãe da Arquidiocese e de todo o Brasil.

Tendo ocorrido a Dedicação do templo em 1672, ainda que não estivesse totalmente concluído, ela precedeu em poucos anos a elevação da então diocese à condição de arquidiocese. O Papa Inocêncio XI, elevou a então Diocese de São Salvador à condição de Arquidiocese, aos 22 de novembro de 1676.

A bela Catedral Basílica recebe inúmeros visitantes de todo o Brasil e de outros países que vêm para admirar sua beleza artística e para orar. Ela tem sido fonte do amor e da luz de Deus ao longo do tempo. Nela estiveram presentes santos que conhecemos, como São José de Anchieta, Santa Dulce dos Pobres e a Beata Lindalva, santos que por ali passaram como São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá, mas também santos e santas anônimos, homens e mulheres que procuram viver a santidade no anonimato da vida cotidiana.

Salvador, enquanto Sede Primacial da Igreja no Brasil, tem uma história longa e bela que necessita ser mais conhecida e valorizada. É preciso preservar a memória histórica, pois o seu esquecimento ou menosprezo implica na negação da identidade de um povo e na perda de um patrimônio inestimável.

(Artigo modificado, publicado originalmente no Jornal Correio da Bahia, 28.06.21)

 

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