Papa: fé ideológica adora um deus que não possui as chagas dos irmãos

O Papa Francisco celebrou a missa matutina, desta quinta-feira (02), na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que “ressoa forte, no início da Quaresma, o convite à conversão”. A liturgia

O Papa Francisco celebrou a missa matutina, desta quinta-feira (02), na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que “ressoa forte, no início da Quaresma, o convite à conversão”.

A liturgia de hoje coloca esta exortação diante de três realidades: o homem, Deus e o caminho. A realidade do homem é a de escolher entre o bem e o mal: “Deus nos criou livres. A escolha é nossa”, disse o Pontífice, “mas não nos deixa sozinhos”, nos indica o caminho do bem com os Mandamentos. Depois, há a realidade de Deus: “para os discípulos era difícil entender” o caminho da cruz de Jesus: 

Deus tomou sobre si toda a realidade humana, menos o pecado. Não há Deus sem Cristo. Um deus sem Cristo é desencarnado. Um deus que não é real.

“A realidade de Deus é Deus que se fez Cristo, por nós. Para nos salvar. Quando nos distanciamos dessa realidade e nos distanciamos da Cruz de Cristo, da verdade das chagas do Senhor, nos distanciamos também do amor, da caridade de Deus, da salvação e caminhamos numa estrada ideológica de Deus, distante do Deus que veio até nós para nos salvar, do Deus que morreu por nós. Esta é a realidade de Deus. Deus é Cristo. Não há Deus sem Cristo.”

O Papa citou o diálogo entre um agnóstico e um fiel que acreditava em Deus, criado por um escritor francês do século passado:

“O agnóstico de boa vontade perguntava ao fiel: “Mas, como é possível! Para mim, o problema é como Cristo é Deus: Não posso entender isso. Como Cristo é Deus?”. E o fiel respondeu: Para mim, isso não é um problema. O problema seria se Deus não tivesse se tornado Cristo”. Esta é a realidade de Deus: Deus que se fez Cristo, Deus que se fez carne e este é o fundamento das obras de misericórdia. As chagas de nossos irmãos são as chagas de Cristo, são as chagas de Deus, porque Deus se fez Cristo. Esta é a segunda realidade. Não podemos viver a Quaresma sem esta realidade. Devemos nos converter não a um Deus abstrato, mas a um Deus concreto que se fez Cristo.”

Enfim, a terceira realidade, é a do caminho. Jesus diz: “Se alguém quer me seguir, renegue a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia e me siga”

“A realidade do caminho é a de Cristo: seguir Cristo, fazer a vontade do Pai e como Ele pegar as cruzes de cada dia e renegar a si mesmo para seguir Cristo. Não fazer o que eu quero, mas o que Jesus quer. Seguir Jesus. Ele fala que nessa estrada nós perdemos a vida para ganhá-la depois. É perder a vida continuamente, deixar de fazer o que eu quero, perder as comodidades, estar sempre na estrada de Jesus que estava a serviço dos outros, e adorar Deus. Esta é a estrada certa.”

“O único caminho seguro é seguir Cristo crucificado, escândalo da Cruz. Estas três realidades, o homem, Deus e o caminho são a bússola que não deixa o cristão errar o caminho”, concluiu o Papa.

Fonte: Rádio Vaticano

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