
“Passaram-se já três quartos de século desde que o primeiro teste de armas nucleares – indevidamente chamado de ‘Trinity’ – foi realizado no deserto do Novo México, nos Estados Unidos”, afirmou monsenhor Hansen.
“Desde então, já foram realizados mais de 2.000 testes, dos quais sete neste século – observou -, causando danos ambientais e afetando a saúde das pessoas que estavam próximas aos locais dos testes ou expostas à direção do vento à radioatividade liberada no atmosfera. É de se esperar que o teste nuclear realizado há três anos tenha sido o último”.
Por isso, é fundamental que a Comissão Preparatória do Tratado para a Proibição Total dos Testes Nucleares trabalhe em conjunto com os oito Estados cujas ratificações são necessárias para a entrada em vigor do Tratado – explicou -, e que esses Estados se convençam que a segurança nacional e internacional será fortalecida somente com a entrada em vigor do Tratado.
Novos testes nucleares, de fato, não farão outra coisa senão diminuir a segurança global e, portanto, a paz e a estabilidade de todos os membros da ONU e dos povos que eles representam, enfatizou. O Tratado, portanto, é um passo fundamental para a criação de um mundo sem armas nucleares.
Recordando as vítimas do 75º aniversário da bomba atômica, monsenhor Hansen exortou à retomada do espírito com o qual as Nações Unidas foram fundadas e a chegar todos juntos “não apenas à obrigação permanente e vinculante de nunca mais realizar testes com armas nucleares, mas à meta de um mundo sem armas nucleares: um objetivo ainda mais urgente no contexto de uma pandemia global”, que destacou ulteriormente o absurdo de utilizar recursos preciosos para a manutenção de armas de destruição quando no planeta muitas pessoas estão lutando para sobreviver.
Citando as palavras do Papa, pronunciadas durante sua visita a Hiroshima em novembro passado, monsenhor Hansen reiterou que “o uso da energia atômica para fins bélicos é hoje mais do que nunca um crime não só contra a dignidade do ser humano, mas contra qualquer futuro possível para o nosso lar comum” e que “o uso da energia atômica para fins bélicos é imoral, assim como é imoral a posse de armas nucleares”.
Fonte: Vatican News